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Possibilidade(s) de Tradução(ões)

Mauri Furlan

Citar este texto:
Furlan, Mauri. "Possibilidade(s) de Tradução(ões)". In: Cadernos de Tradução nº III. Florianópolis: NUT, 1999. (p. 89-111)
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La traduction alors n'est pas une paraphrase,
un signifié d'abord,
elle peut produire un texte.
Elle est activité de langage avant d'être métalangage.
Henri Meschonnic

Dentre as três grandes partes que, grosso modo, compreendem o processo tradutório, ou seja, a teorização da prática tradutória, o conhecimento do original em todos seus aspectos possíveis, e a prática da tradução propriamente dita, apresenta-se aqui uma reflexão sobre a teorização da prática tradutória, em que a questão central elegida é a da possibilidade de traduzir, um tema muito caro à tradutologia. A opção pelas teorias utilizadas tem como pressuposto o reconhecimento da possibilidade da tradução e sua importância sócio-cultural, e visam a uma distinta prática tradutória. Três teóricos são abordados na composição de uma concepção de tradução, e do confronto entre suas posições se observará que:

Walter Benjamin, em seu afamado ensaio Die Aufgabe des Übersetzers (A Tarefa do Tradutor), mesmo valendo-se de um idealismo como uma "língua pura", continua seduzindo por sua concepção de tradução como Umdichtung, re-poetização do original na forma da língua de tradução. Este texto, contudo, não oferece elementos tão claros e precisos para uma prática tradutória como o de Catford.

A teoria catfordiana de equivalência de tradução é uma teoria lingüística da tradução, na qual se consideram as relações da língua como atividade intralingüística, com níveis e categorias formais da lingüística geral, e como atividade extralingüística, com seus meios de expressão e sitações. Na tradução não ocorre transferência de significado, mas substituição de equivalentes. Há equivalentes de tradução quando ambos os textos relacionam-se nos traços funcionalmente relevantes da situação.

Essas duas teorias proporcionam um conjunto harmonioso, onde a tradução é concebida como re-poetização a partir de (ou sobre) equivalências. Não apresentam, contudo, meios para a compreensão da diferença nas traduções.

Em Propositions pour une Poétique de la Traduction, uma teoria materialista da tradução, Henri Meschonnic define tradução como "re-enunciação específica de um sujeito histórico". Através dessa teoria tem-se uma explicação para a diferença. Todo texto sempre possibilita um número ilimitado de leituras, logo, sempre poderá haver um número ilimitado de traduções. Cada tradução é uma releitura histórica, e daí também o seu envelhecimento e sua necessidade de retraduções. Para subsistir ao lado do original, para atingir sua imortalidade, uma tradução precisa ser produzida a partir da signifiance (significância) e atingir valores supra-históricos, supra-ideológicos, como o fez o original. A possibilidade de tradução, a partir de Meschonnic, pode ser defendida num mote: se a leitura é possível, a tradução é possível. A leitura é entendida como enunciação porque constitui cada vez, a cada enunciação, um sistema de signifiance, o sentido é produzido a partir do significante mesmo: não há separação entre conteúdo e forma

Embora estas três teorias apresentem, por vezes, divergências conceptuais, podem ser lidas como complementares e convergentes, sobretudo a questão relativa à forma, à retextualização. Todos têm em comum a preocupação com a produção de um texto em língua de chegada como um texto próprio de sua língua.

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A crítica da tradução e a análise das questões teóricas, além da prática da tradução, partem necessariamente de uma noção determinada do que deveria ser a tradução. - Tarefas que só podem ser realizadas por quem pode ler o original: “Translations can only be judged by people who do not need them” (Lefevere, 1975:07). Uma tradução é julgada por sua competência textual e/ou artística em seu tempo, podendo sofrer sincrônica e diacronicamente variações na valoração, e os problemas teóricos da tradução podem ser diferentemente analisados conforme a teoria de tradução que os ilumina.

Grosso modo, elencam-se três grandes posições nas teorias de tradução: (I) a da intraduzibilidade absoluta, que professa a unicidade e singularidade absolutas de cada indivíduo ler, compreender, interpretar o mundo a partir de si e para si, chegando-se em última instância à total incomunicabilidade humana; (II) a da traduzibilidade relativa, isto é, da possibilidade da tradução mas com alguns casos pontuais de exceção; e (III) a da traduzibilidade absoluta, onde na prática tudo pode ser traduzido e os problemas da tradução existem apenas a nível teórico. Estas posições apresentam várias teses pelas quais se pode determinar os princípios tradutológicos envolvidos numa tradução, tais como as citadas por Jirí Levy (1969:26) :

1. Uma tradução tem que reproduzir as palavras do original.

2. Uma tradução tem que reproduzir as idéias do original.

3. Uma tradução deve poder ser lida como uma obra original.

4. Uma tradução deve ser lida como uma tradução.

5. Uma tradução deveria espelhar o estilo do original.

6. Uma tradução deveria mostrar o estilo do tradutor.

7. Uma tradução deveria ser lida como pertencente ao tempo do original.

8. Uma tradução deveria ser lida como pertencente ao tempo do tradutor.

9. Uma tradução pode, frente ao original, acrescentar ou abandonar algo.

10. Uma tradução não deve nunca, frente ao original, acrescentar ou abandonar algo.

11. Uma tradução de versos deveria ser em prosa.

12. Versos deveriam ser traduzidos em versos.

Teses como estas pertencem à grande maioria de teorias da tradução, que H. Meschonnic (1973) classifica como idealistas, abstratas, a-historicistas, porque elas crêem no sentido como objetividade, verdade, a-temporalidade. Teorias que perpetuam conceitos históricos como o da inferioridade da tradução frente ao original, fidelidade, transparência, apagamento do tradutor, intraduzibilidade, etc.

Estes dualismos precisam ser dialetizados, historicizados, afirma H. Meschonnic. A esses pares de oposições não dialéticas, ao dualismo da forma e do sentido, do sujeito e do objeto, do autor e do leitor, da criação e da tradução, da poesia e da ciência, da ciência e da ideologia, Meschonnic contrapõe “un monisme matérialiste, défini comme homogénéité et indissociabilité da la pensée et du langage, de la langue et de la parole, de la parole et de la graphie, du signifiant et du signifié, du langage et du métalangage, du vivre et du dire” (Meschonnic, 1973:42). Esta dialetização e historicização conferem novos estatutos a antigas idéias.

Embora a obra de arte almeje e atinja uma “imortalidade”, uma vida supra-histórica, ela é primeiramente histórica e não existiria sem um artista histórico, apesar de qualquer esforço em contrário: “Revelar a arte e esconder o artista, tal é a finalidade da arte” (Wilde, 1979:07). Da mesma forma, subjaz a uma tradução um tradutor. Uma obra de arte é histórica e modifica-se na história. “Uma obra de arte é intemporal apenas no sentido de que, se preservada, mantém desde a sua criação uma certa estrutura de identidade fundamental” (Wellek, 1962:192). A historicidade e a “intemporalidade” da arte (= do original) fazem perguntar “até que ponto pode-se dizer que uma obra de arte está modificada, mantendo-se contudo idêntica?” (Wellek, 1962:192). A questão pode ser recolocada nos termos da diversidade de leituras da obra de arte: a diferença e o mesmo.

Tomamos de Meschonnic alguns elementos característicos da linguagem poética, que podem ser estendidos à obra de arte: A linguagem poética não é uma prática da identidade, mas da contradição: 1) um texto não cessa de se fazer, seu conhecimento é inesgotável, ele produz uma repetição indefinida de leitura; 2) é um lugar de interações; 3) é feito de conflitos, de contradições que não podem se resolver. Se elas se resolvem não há texto, há uma escritura variavelmente ideológica, exploradora mas não transformadora. As contradições do texto são: da lógica do significante com a lógica do significado, do sujeito com o objeto, do dizer com o viver, do indivíduo com o social, da escritura com a ideologia. Onde não existem estas contradições funcionam as escrituras ideológicas (Meschonnic, 1973:40-41), não a arte mas o artefato, a reprodução. Quanto mais polissêmica, quanto menos marcada ideologicamente uma obra, um texto, maior sua arte, maior sua gama de leituras, seja quando de seu surgimento, seja através dos tempos. Cada leitura faz-se uma leitura-escritura. Cada leitura faz-se uma re-textualização. Cada leitor se lê na obra e nela se inscreve através de seu criador e, através do leitor-tradutor e com ele, se lê-inscreve na tradução. “L'écriture est la pratique d'un sujet. Celui qui écrit s'écrit, celui qui lit se lit” (Meschonnic, 1973:47). Cada tradução é única, e é uma leitura possível da obra de arte, e ainda, na leitura-tradução, retomando Benjamin, sempre podem se revelar significados encobertos no original.

A historicidade do artista e do leitor-tradutor está diretamente relacionada à sua tarefa, e reflete-se relativa mas inevitavelmente em sua obra. A intemporalidade de uma obra de arte e a de uma tradução se dá em, sendo histórica e revelando sua história, extrapolar os limites de seu tempo e lugar. A limitação, porém, que tal historicidade possa impingir ao artista/tradutor, seja expressões de conteúdo, material ou forma, nunca ultrapassa as exigências feitas pelo seu meio. O meio produz o que é, suas necessidades e satisfações. Donde se poder dizer que cada tempo e lugar tem a arte e a tradução, o artista e o tradutor que merece.

Pode-se admirar a tradução como exteriorização ou expressão da individualidade criadora do tradutor e, conseqüentemente, estudar a parte do estilo pessoal e da interpretação pessoal do tradutor na forma definitiva da obra. O tradutor é um autor de seu tempo e de sua nação. Pode-se examinar sua poética como exemplo para a diferença na evolução literária de dois povos, para a diferença de poéticas de duas épocas. E finalmente pode-se procurar atrás da obra o método do tradutor como expressão de uma norma de tradução determinada, de uma posição determinada para o traduzir. (Levy, 1969: 25)

A participação do tradutor na tradução é decisiva. Sua concepção de tradução implica a possibilidade e o tipo de tradução. Atrás da obra produzida na tradução há o método do tradutor “como expressão de uma norma de tradução determinada”, de uma concepção e de um processo de tradução, mesmo se inconsciente ao tradutor. Mas nada é gratuito, sendo o tradutor um homem histórico-social, “um autor de seu tempo e de sua nação”, que se inscreve e escreve no texto que (re)produz. O original é sempre de novo relido e retraduzido, na busca de uma atualização, que, conforme a concepção de tradução subjacente, pode ser uma atualização artística, que atinja os valores artísticos reconhecidos em seu meio, e/ou uma atualização textual que relê o original, consciente do momento histórico da leitura, e (se) (re)conhece (n)o processo histórico-social de textualização.

O enfoque tradicional dado à tradução é redirecionado numa teoria histórico-materialista da linguagem e da tradução, como a de Meschonnic, em que a tradução é concebida como forma-sentido, textualização, descentramento, transformação, re-enunciação de um sujeito histórico. Se o pensamento de Meschonnic não é novo, seu mérito é o de, concentrando e trabalhando sobre teses importantes de outros teóricos, como Bakhtin, Levy, Benveniste, Barthes, desenvolver uma tal teoria. O procedimento teórico-metodológico de Meschonnic é, de partida, justificar a posição do estudo da tradução: enquanto produção textual, ela se inclui na poética (“théorie de la valeur et de la signification des textes”. Meschonnic, 1973:306). E sob uma filosofia histórico-materialista, a tradução é historicizada e situada numa “teoria translingüística” (língua, inconsciente, ideologia) da enunciação.

São apresentados a seguir aspectos gerais das teorias de Meschonnic, Benjamin e Catford considerados mais pertinentes para este trabalho e que apontam para suas idéias básicas.

A Re-enunciação Histórica

“Qui a peur de Henri Meschonnic?” - pergunta Alexis Nouss (Internet, 1997, http://www.otiaq.org/cloutier/ nouss.htm) ao começar uma breve apresentação do pensamento de Meschonnic,

Ou plutôt, qu'est-ce qui, dans sa pensée, dérange? Car on ne saurait nier que les milieux de la traductologie le traitent avec une singulière distance, voire avec méfiance. Meschonnic est l'un des rares à traiter la traduction comme un objet de pensée appelant une approche spécifique, fondant ainsi la traductologie comme champ du savoir: «Une théorie de la traduction des textes est nécessaire non comme activité spéculative, mais comme pratique théorique, pour la connaissance historique du processus social de textualisation, comme une translinguistique.» (Meschonnic, Propositions pour une Poétique de la Traduction, p. 305)

Propositions pour une Poétique de la Traduction é um manifesto de uma teoria materialista da tradução, em que, da apresentação das teses resulta a proclamação do fim do preconceito de inferioridade da tradução frente ao original e a possibilidade da tradução: dignidade e legitimidade.

La distinction traditionelle entre le texte et la traduction (valorisation sociale du texte, caducité et statut inférieur da la traduction) apparaît alors pertinente seulement pour la pratique, courante, qui est le placage d'une pratique abstraite et non théorisée sur une pratique humaine concrète qui inclut toujours dejà sa théorisation. Cette distinction (théorique, sociale) n'est plus pertinente pour la traduction-texte d'un texte (Meschonnic, 1973: 314).

Traduire n'est pas détruire. C'est ici montrer qu'un texte continue. (Meschonnic, 1973: 300-301)

As Propositions estão inseridas num conjunto de textos denominado Pour la Poétique II - épistémologie de l'écriture, poétique de la traduction (Paris: Gallimard, 1973): escritura e tradução estão ligadas à teoria da linguagem e fazem parte da poética enquanto “théorie de la valeur e de la signification des textes” (Meschonnic, 1973:306). A poética é tomada como a epistemologia da escritura, isto é, como “la critique des principes, des hypothèses et des résultats d'une visée vers une connaissance, la connaissance de l'écriture et de la littérature, en tant que cette connaissance est dans un rapport nécessaire avec une pratique” (Meschonnic, 1973:25); epistemologia “d'un objet de connaissance qui est un texte comme langage-système, en tant que ce système translinguistique est un rapport avec la langue comme système, avec un inconscient comme système, et avec une idéologie comme système” (Meschonnic, 1973:19). E porque “traduire un texte est une activité transliguistique comme l'activité d'écriture même d'un texte” (Meschonnic, 1973:306), “il faut que la théorie de la traduction soit la théorie d'une pratique du traduire homologue à l'écrire (= une pratique signifiante spécifique parmi les pratiques sociales du langage)” (Meschonnic, 1973:350). A reflexão sobre a escritura e a tradução implica, nesta teoria, uma teorização sobre os estatutos do sujeito, da cultura e da história, três eixos que compõem a poética.

Meschonnic trabalha uma relação dialética entre escrever e traduzir que substitui a oposição metafísica entre texto e tradução (Meschonnic, 1973:142), criando a tradução-texto. Assim, é dialetizando que, para este teórico, texto é entendido como forma-sentido. É um conceito, não dois conceitos justapostos. Uma unidade dialética que busca se distanciar das noções idealistas de forma ou de sentido. Não se pode isolar a forma do sentido, a estrutura lingüística do semântico, e o sócio-cultural delas. A forma-sentido anula, no terreno da poética, as oposições não dialetizadas, como biografia/obra, tema/forma. Ela produz uma síntese dialética do sujeito da escritura com o objeto-texto, e do objeto-texto com o sujeito-leitor.

Le texte ne peut plus avoir en lui-même sa propre fin, comme l'impliquait la fonction poétique chez R. Jakobson. La forme-sens est cette structure-message qui rend possible une ré-énonciation indéfinie, une identification transnarcissique (Meschonnic, 1973: 34).

Ainsi l'écriture est définie communication transnarcissique: le texte est ce qui peut se ré-énoncer indefiniment avec une spécification historique qui est chaque fois la variable d'un invariant, par rapport à ce qui n'est plus jamais lu (Meschonnic, 1973: 55).

A tradução-texto se situa numa teoria translingüística da enunciação, que “consiste dans l'interaction entre une linguistique de l'énonciation (non enfermée dans une immanence structurale au discours) et une théorie de l'idéologie” (Meschonnic, 1973:307). Ora, “toute pratique du langage implique une idéologie du langage” (Meschonnic, 1973:28), do social. Assim, o estudo da linguagem e a teoria da ideologia são um único e mesmo estudo (Meschonnic, 1973:24). Em Marxismo e Filosofia da Linguagem, Bakhtin mostrou a interação entre linguagem e ideologia e historicidade. E Meschonnic partilha do pensamento de Bakhtin: “On le lit, on le récrit. On part de lui.” (Meschonnic, 1973:191).

O homem é um sujeito histórico com uma produção histórica, situados num dado espaço e tempo; é um ser social e só existe enquanto social, enquanto produção e reprodução do social. A língua é uma produção histórico-social que produz e reproduz os agentes de sua própria produção e reprodução, expressa e é expressão desse social historicizado. Assim o homem se inscreve e é inscrito na sua produção. Sendo a linguagem histórica e ideológica, o que significa dizer, comprometida completamente com sua realidade, no tempo e no espaço em que se produz, e sendo a tradução uma prática específica da linguagem, à noção tradicional de transparência de uma tradução e de ‘apagamento' do tradutor opõe-se então a tradução como uma produção histórica, escritura, como “ré-énontiation spécifique d'un sujet historique, interaction de deux poétiques, décentrement ” (Meschonnic, 1973:308). - “La spécificité de l'écriture comme énontiation est qu'elle constitue chaque fois un système de signifiance” (Meschonnic, 1973:177), e Meschonnic entende signifiance como a produção de sentido a partir do significante mesmo (Meschonnic, 1973:271). E esclarece o termo décentrement como sendo “un rapport textuel entre deux textes dans deux langues-cultures jusque dans la structure linguistique de la langue, cette structure linguistique étant valeur dans le système du texte” (Meschonnic, 1973:308). Estende-se à noção de texto a noção de shifter: “mot dont le sens varie avec la situation (Jespersen)”. Toma-se o texto como um eu-aqui-agora, um operador de deslizamento (Meschonnic, 1973:31). “C'est toujours d'aujourd'hui qu'on lit et l'aujourd'hui qu'on lit” (Meschonnic, 1973:37).

Un texte est un je-ici-maintenant. Il réalise, dans le langage et dans sa langue, peut-être le plus complexe, le plus complet des modes de communication, établissant entre émetteur et récepteur, par et dans le signifiant, une trans-énontiation, un transnarcissisme (Meschonnic, 1973: 286).

Un texte n'est texte que s'il est ce point de départ qui indéfiniment recommence. Alors il n'y a pas l'effacement classique du traducteur. Chaque époque retraduit parce qu'elle lit et écrit autrement. Le paradoxe provisoire de la traduction réussie (celle qui dure) est celui de la nécessaire ré-énonciation (Meschonnic, 1973: 424).

A tradução também é definida como escritura de uma leitura-escritura, no que diz respeito à relação entre o texto de partida, a intertextualidade, e a historicidade do tradutor (Meschonnic, 1973:365).

Si la traduction d'un texte est texte, elle est l'écriture d'une lecture-écriture, aventure personnelle et non transparence, constitution d'un langage-système dans la langue-système tout comme ce qu'on appelle oeuvre originale (Meschonnic, 1973: 354).

Assim concebida a tradução, como descentramento, re-enunciação, transformação poética e cultural, historicização, recoloca-se a questão “é uma tradução correta?” nos termos “para quem?”. Quem traduz o quê e para quem? é um princípio norteador para uma análise, uma crítica e uma prática de tradução.

Le pour-qui (le lecteur) est structurellement inscrit dans le texte, et dans la traduction-texte, autant que le par-qui. Le pour-qui s'écrit dans le par-qui (Meschonnic, 1973: 320).

Traduzir um texto não é traduzir da língua, mas em sua língua. Traduzir da língua somente é passar de uma estrutura a uma outra, objetivar uma transparência, anular a distância cultural, histórica, fazer o receptor da língua de chegada responder como presumivelmente respondera o da língua de partida. A tradução-texto não se detém apenas num nível (gramática, léxico, fonologia ou grafologia), nem se dá apenas em unidades menores que o próprio texto, como a unidade-grupo ou a unidade-palavra. Não havendo heterogeneidade de língua e cultura, sentido e forma, “quand il y a un texte, il y a un tout, traduisible comme tout” (Meschonnic, 1973:349). A tradução-texto é definida como uma linguagem-sistema não compósita nos seus registros, não inconsistente. Ela mantém na re-enunciação a contradição do texto estrangeiro (Meschonnic, 1973:364). Meschonnic constrói e teoriza uma relação de texto a texto, não de língua a língua. A relação interlingüística vem pela relação intertextual, e não o inverso (Meschonnic, 1973:314). A tradução de um texto é a produção de um texto na língua de chegada, sempre mantendo uma relação com o texto de partida.

Le rapport poétique entre texte et traduction implique un travail idéologique concret contre la domination esthétisante. [...] Le rapport poétique entre un texte et une traduction implique la construction d'une rigueur non composite, caracterisée par sa propre concordance (la concordance a pour limite le caractère syntaxique du lexique) et par la relation du marqué pour le marqué, non marqué pour non marqué, figure pour figure et non figure pour non figure (Meschonnic, 1973: 315-316).

O envelhecimento de uma tradução diz respeito a uma tradução não-texto, assim como o envelhecimento de uma escrita refere-se a uma escritura-ideologia: “étant passivement la production d'une idéologie, elle passe avec cette idéologie” (Meschonnic, 1973:321). Enquanto escritura, a tradução-texto pode ser literatura. “Toute écriture est plus ou moins littérature. S'il y a intégration totale dans l'idéologie, il n'y a plus écriture mais sous-littérature” (Meschonnic, 1973:141). Uma tradução-texto não envelhece, ela se transforma, sendo ela própria uma transformação do texto de partida. A escritura transforma a escritura e a ideologia em outra escritura e ideologia. Se não modifica o significado mesmo de seu próprio texto, deixa de ser lida, envelhece.

O intraduzível como texto é o efeito cultural resultante de razões históricas. O intraduzível é social e histórico, não metafísico (Meschonnic, 1973:309), é apenas uma idéia, não uma natureza. É um clichê recente, romântico (Meschonnic, 1973:351), fruto da estética e da lingüística idealista que colocam as contradições inerentes ao traduzir (língua de partida e de chegada, época e época, cultura e cultura, etc.) num absoluto a-histórico (Meschonnic, 1973:358). A poesia não é mais difícil de traduzir que a prosa. Esta noção está ligada à noção de poesia como violação das normas da linguagem, e não como uma prática específica da linguagem (Meschonnic, 1973:313). Não existe a poesia, a prosa, mas a linguagem de um texto (Meschonnic, 1973:213). Uma teoria da linguagem que exclui a gramática da poesia de uma linguagem de um texto, e só vale para a produção de enunciados correntes é uma teoria doente, pois a literariedade não é uma exceção mas um funcionamento da linguagem (Meschonnic, 1973:215). “Traduire un poème est écrire un poème” (Meschonnic, 1973:355). Tradução é produção, não reprodução (Meschonnic, 1973:352). Um tradutor é um criador, um transformador, um re-enunciador, um leitor-escritor. “Un traducteur qui n'est que traducteur n'est pas traducteur, il est introducteur” (Meschonnic, 1973:354).

Em suma, na teoria da tradução de Meschonnic a tradução é possível, e o é porque é escritura, re-escritura, re-textualização, tradução-texto. Característico da escritura, nesta teoria histórico-materialista, é seu fator histórico-social, ou seja, o sujeito-escritor se inscreve enquanto inscreve e escreve o seu meio. A tradução não pode, pois, ser cópia nem transparência, porque na tradução se inscrevem um sujeito e uma realidade histórico-sociais. Disso resulta a concepção de que a tradução-escritura, escritura de uma sociedade, é descentramento, relação entre dois textos em duas línguas-culturas até ao nível lingüístico. O conhecimento deste processo histórico-social de textualização provém da aquisição de uma instrumentação específica para uma análise, crítica e prática histórico-sociais da tradução. O ponto central desta teoria, como a de Walter Benjamin, é o de, na tradução, produzir um texto em língua de chegada próprio da língua de chegada.

Tradução como Forma

“Tradução é uma forma” (Benjamin, 1980:09). A partir desta tese central, Benjamin reconceitua a tarefa do tradutor: trans-pôr, trans-formar. Entenda-se, formar noutra língua, re-formar na língua da tradução a arte do original. Esta tese, que aparece em Die Aufbage des Übersetzers (A Tarefa do Tradutor), de 1923, está fundamentada em uma concepção de linguagem que Walter Benjamin constrói ao longo de sua obra; os textos vão se interligando e se complementando. Para esclarecer sua concepção de tradução como forma, Benjamin a define também negativamente, isto é, naquilo que ela não é. Tradução não é recepção, não é comunicação, não é imitação. Tradução é uma forma.

Na composição da teoria benjaminiana da linguagem, aparecem diferentes aspectos: (1) a linguagem humana enquanto um dom divino, (2) a linguagem humana como uma capacidade imitativa, (3) a linguagem humana enquanto gesto e som e como fruto de um processo social, e (4) a possibilidade da tradução da linguagem humana enquanto tradução das essências.

Quanto aos gêneros de linguagem, em W. Benjamin, encontram-se: (1) a linguagem edênica, do conhecimento puro através da nomeação das coisas, (2) a linguagem humana, terrestre, babélica, hodierna, da comunicação e (3) a linguagem muda das coisas. A linguagem humana, pós-queda, é apenas um reflexo da edênica. Aquela só produz conhecimento na intuição da essência desta. A linguagem humana pós-queda é incapacidade de conhecimento, é comunicação, é divisão e dispersão, mas, na obra de arte lingüística com sua possível tradução, participa de uma realidade soteriológica, de redenção e revelação, de agoridade (que pode se concretizar no presente).

“As línguas se complementam a si mesmas em suas intenções” (p.14), por isso deve-se distinguir na intenção de um significado (das Gemeinte) o modo-de-significar (Art des Meinens), ou, como na proposta de tradução de Paul de Man, entre o vouloir dire e o dire.

Nas palavras Brot e pain (pão) o significado é, na verdade, o mesmo; não o é, ao contrário, o modo de significá-lo. É no modo de significar que ambas as palavras significam algo diferente para o alemão e para o francês, e não são cambiáveis entre si, e em última instância, anseiam se excluir; é no significado, porém, tomado em sentido absoluto, que significam o mesmo e o idêntico. Enquanto o modo de significar se opõe nestas duas palavras entre si, ele se completa em ambas as línguas, das quais provêm. E, na verdade, o modo de significar se completa nelas no significado. (Benjamin, 1980: 14)

A obra (Dichtung) do poeta (Dichter) é fruto do poetizar (dichten). O tradutor (Übersetzer) deve re-poetizar (umdichten) para re-criar aquela obra (Umdichtung). O tradutor torna-se, pois, re-poetizador (Umdichter). O prefixo alemão um exerce aqui um papel diferenciador fundamental entre o poeta e o tradutor, entre a poesia e a tradução. Um papel que passa pela questão do sentido e da forma. Através, ou melhor, na obra de arte literária, sob uma forma própria, o poeta expressa e imprime um sentido. Na tradução, o tradutor se isenta da criação deste sentido, já presente no original; sua tarefa não é criar, mas re-criar a criação. Seu principal objeto não é o sentido mas a forma. Se o poeta trabalha na relação língua-sentido, o tradutor trabalha na relação língua-língua. E a re-criação do sentido não é possível sem considerar a materialidade da forma na qual está impressa.

“Tradução é uma forma”. A reprodução da forma não significa a pura reprodução da sintaxe ou a literalidade das palavras. Isto geralmente apenas conduz à incompreensão do sentido. A tradução pode trazer para a forma de sua própria língua, para o seu modo de significar, o modo de significar do original. Nesta conquista do modo de significar na forma da língua da tradução dá-se também o desvelamento da linguagem do original e da língua pura. No confronto de duas línguas, a tradução cria entre elas uma complementaridade que revela, muitas vezes, um sentido antes despercebido na língua do original. Sentido que reflete a língua pura. Um determinado significado, encoberto nos originais, pode se exprimir na sua traduzibilidade. Esta tese de Benjamin é também tratada por Heidegger ao refletir sobre a tradução de textos filosóficos:

Para a tradução, o trabalho do pensamento se acha transposto no espírito de uma outra língua e sofre assim uma transformação inevitável. Mas esta transformação pode tornar-se fecunda, pois ela faz aparecer sob uma nova luz a posição fundamental da questão. (Heidegger,1968, apud Meschonnic,1973: 319)

Quanto mais plena de forma uma obra - entenda-se, quanto maior for sua poeticidade -, maior será sua traduzibilidade: a essência não está no comunicável, mas no poético, naquilo que é intuído, re-conhecido, mas mal dito, incomunicável. E o poético só pode ser traduzido no poético. A complementaridade das línguas na língua pura visa sempre a perfeição da linguagem, que se realiza no indizível, no silêncio. E aqui, lembrando Platão, podemos fazer uma comparação: assim como para Platão , o grau mais elevado a que um homem pode almejar e atingir é o do conhecimento das Idéias, que só se dá por intuição, numa contemplação silenciosa, só podendo ser expresso em palavras por aproximações e analogias, também para Benjamin o fim último é a contemplação da Idéia, da essência, revelada pela língua da verdade, língua pura, a qual é jamais plenamente alcançada, mas que pode ser intuída a partir da complementaridade de sentido possibilitado na tradução. A tarefa do tradutor é provocar o amadurecimento, na tradução, da semente da língua pura, podendo desvelar significados ocultos na língua do original.

Se Benjamin, com seu idealismo, sua concepção dualista de sentido e forma, essência e língua pura, se opõe a Meschonnic, com seu materialismo, deste se aproxima na visão de tradução como re-poetização. A re-poetização benjaminiana na língua de chegada da poeticidade do original é passível de identificação com a meschonniciana re-textualização, produção mas não reprodução, texto próprio da língua de chegada. Junto a elas, a teoria de equivalência catfordiana oferece elementos para a prática da tradução, para a possibilidade de re-textualização.

A Equivalência de Tradução

Catford apresenta uma teoria lingüística da tradução, na qual se consideram as relações da língua como atividade intralingüística, com níveis e categorias formais da lingüística geral, e como atividade extralingüística, com seus meios de expressão e as situações, sempre únicas, quando da produção lingüística.

Sua teoria lingüística da tradução é a da equivalência. Tradução enquanto equivalência, na definição de Catford, é “a substituição de material textual numa língua (língua fonte - LF) por material textual equivalente noutra língua (língua meta - LM)” (Catford, 1980:22). Entendendo-se texto como “qualquer extensão de língua, falada ou escrita, que se põe em discussão”, co-extensiva ou não com “qualquer unidade formal literária ou lingüística” (Catford, 1980:23). Esta teoria considera a tradução possível quando há equivalentes de tradução, e os há quando podem ser “comutáveis em determinada situação” (Catford, 1980:54), quando ambos os textos relacionam-se nos traços funcionalmente relevantes da situação. O objetivo na tradução deve estar na escolha de equivalentes “com a maior imbricação possível na faixa de situação” (Catford, 1980:55), e não com o mesmo significado. Na tradução não ocorre transferência de significado, mas substituição de equivalentes.

A taxionomia da Lingüística oferece a esta teoria lingüística a compreensão e o estudo da tradução em diferentes níveis (gramática, léxico, fonologia e grafologia) e categorias (unidade, estrutura, classe e sistema). Partindo de tais níveis, Catford classifica a tradução com dois termos usados no sentido lingüisticamente técnico: tradução total e tradução restrita. Na tradução total os níveis de gramática e léxico do texto da LF se substituem por gramática e léxico equivalentes da LM, mas com substituição não equivalente dos níveis fonológicos e grafológicos. Na tradução restrita, a substituição de material textual equivalente na LM dá-se a apenas um nível, ou gramatical, ou lexical, ou fonológico, ou grafológico.

Para Catford, textos e itens da LF são antes mais ou menos traduzíveis que absolutamente traduzíveis ou intraduzíveis. Uma tradução pode fracassar se for impossível a substituição de traços funcionalmente relevantes da situação, que podem encontrar-se em duas categorias: lingüística e cultural. A impossibilidade lingüística de tradução pode acontecer em casos de ambigüidade do texto da LF, e a impossibilidade cultural de tradução, na ausência total na cultura da tradução de um traço de situação funcionalmente relevante para o texto da LF. Pode-se também entender a problemática traducional de aspectos culturais como sendo uma variante da de aspectos lingüísticos.

É pertinente reconhecer nesta teoria de tradução elementos aproximativos à filosofia histórico-materialista de tradução de Meschonnic, como a recusa de uma concepção de tradução enquanto tradução de significados por uma concepção enquanto atividade intra e extralingüística, com substituição de equivalentes. Neste sentido, a equivalência catfordiana de tradução, os traços funcionalmente relevantes da situação podem ser lidos como o trabalho na signifiance, como a relação intertextual meschonniciana. Por outro lado, elementos como a concepção de texto de Catford, com suas possíveis tradução total e tradução restrita, a possibilidade relativa de tradução ( ¹ “Quand il y a un texte, il y a un tout, traduisible comme tout”, Meschonnic, 1973:349), a heterogeneidade entre língua e cultura, a impossibilidade de tradução frente a uma ambigüidade ( ¹ “La polysémie est indissociablement langue et culture”, Meschonnic, 1973:310), distanciam e separam teoricamente os dois pesquisadores.

Apesar do idealismo de Benjamin e de Catford, reconhece-se que, como Meschonnic, todos se preocupam com a escritura na língua de tradução, seja enquanto re-criação do modo-de-significar do original, seja enquanto substituição de equivalentes, seja enquanto re-enunciação histórica. Diferentes concepções de tradução podem, assim, produzir o mesmo efeito.

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A possibilidade de tradução faz-se entender de duas formas: lato sensu, diz respeito à atividade tradutória em geral - é possível traduzir?; stricto sensu, refere-se à tradução de problemas pontuais de um texto dado, e às possibilidades de variações sobre um mesmo texto. Uma vez admitida as concepções de tradução como re-textualização, como re-enunciação de um sujeito histórico, re-poetização, equivalência, a tradução revela-se possível. Pela proposta de Meschonnic, não se busca mais avaliar o grau de fidelidade ao original, ou de traição de um texto original em dada língua de chegada, nem o apagamento e a neutralidade do tradutor, etc.

O processo tradutório principia na adoção de um modelo conceptual de tradução, passando por um correspondente processo de leitura-tradução, e na prática da tradução, até à recriação na língua de chegada de um texto que servirá para interpretações posteriores. A crítica de uma tradução - concebida como re-textualização - assume a tarefa de analisar o texto de chegada sob dois aspectos: (1) o da qualidade do texto enquanto tradução, com sua equivalência propriamente dita, a nível oracional e sintagmático, vinculado intimamente à sua fonte; e (2) o da qualidade da tradução enquanto texto, com sua equivalência textual, que considera o texto como um todo, traduzível como um todo, fazendo-se literatura na língua de chegada. (cf. Costa, 1992).

A relação entre o texto de partida e o texto de chegada implica também um estudo sobre a relação entre texto e contexto, tanto no que se refere ao texto-fonte, como ao texto-alvo. Essa questão da contextualização de uma obra literária já foi muito discutida pela Filologia, pelo Marxismo e pelo Estruturalismo - para mencionar as linhas de discursos que marcaram mais fortemente a reflexão sobre o assunto -, e atualmente é repensada também pela Análise do Discurso.

Dominique Maingueneau em O contexto da obra literária (1995) apresenta o pensamento da AD, de linha francesa, sobre a problemática texto-contexto, a qual trabalha sobre “uma nova concepção do fato literário, a de um ato de comunicação no qual o dito e o dizer, o texto e seu contexto são indissociáveis” (Maingueneau, 1995:X).

Embora o assunto seja de grande importância, pois envolve um procedimento de análise e compreensão da obra literária, não é discutido aqui, mas apenas tomado como uma das etapas do processo tradutório, para a qual o tradutor não pode deixar de atentar.

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Notas

[1] Todas as traduções para o português, quando sem indicação de tradutor, são de minha autoria.

[2] Os livros VI, VII e X da República (Ed. Universitaria: Buenos Aires, 1973, 7a.ed. Trad. de Antonio Camarero.) apresentam uma síntese da teoria do conhecimento platônica.


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